Next exit

•fevereiro 17, 2010 • Deixe um comentário

Ía iniciar o serviço de cadastramento e resolveu ouvir algo para apressar o tempo. Colocou o cd no computador e tinha começado a tocar o tema do filme Réquiem para um Sonho.

“Não, hoje não!” – pensou. “Quero ouvir algo light e não pensar no amanhã”.

Então, clicou na música do Interpol, algo como Next Exit.

Sem nada entender, na primeira balada já nomeou a sua música do dia.

Também, depois de um final de semana conflituoso, ao menos uma música para preencher a sala e esquecer o dia de hoje chamado segunda-feira.

Daí, como a música, passou a vagar em cada acorde e a sentir uma estranha paz que estremecia com a mesma harmonia da batida do seu coração.

E assim ficou por alguns minutos em ritmo com a caneta deslizando no papel sobre o livro negro de tombamento.

‘Caramba! Se eu pudesse ser livre tanto como a Next Exit…’ – pensou de forma hedionda, assim o digo.

E o cd passou a trocar de músicas e cada uma descrevia seu estado de espírito de maneira perfeita. Ora atormentada ora histérica, se não com mais razão a que emoção.

‘Preciso manter a forma e o compasso’ – repetia a si como uma suposta ordem, temendo cair num abismo infinito da própria alma. Se pudesse, esqueceria da hora e do lugar para dar vazão a todas as sensações que escondeu ou fugiu, para não mostrar o que realmente, é.

Seria o acaso, mas o disco do Interpol dizia o que há tempo buscava ouvir de qualquer maneira. E justo agora, estava ouvindo, escutando aquela enxurrada de palavras que invadia com desespero, sem parar.

‘Acho que vou tomar outros rumos que não me farão cair no arrependimento’ – pensa e responde com a pressão da caneta no papel. As mãos estão geladas e rígidas, mas uma energia consome o impulso de apenas seguir.

‘Sim! Traçarei o que estiver além de linhas e rabiscos. Tenho a certeza do algo mais em questão, agora. Está decidido por muitos amanhãs!’.

Levantou, deixou a caneta cair ecoando no papel e de supetão, abriu a porta sem olhar para trás. Atravessou outras portas iguais e fez a vontade dos pés em cadência com as mãos. Se deixou ir sem visualizar o que tinha pela frente…

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Enigma

•fevereiro 2, 2010 • Deixe um comentário

Bem antes,

Dias em sombra

Noites ao vento

O tempo sob medida.

E o sonho tão almejado,

Ainda distante a inflamar a alma

Então, de soslaio, estão momentos

Com um caminho a prosseguir e a perseguir.

Eis um pensamento otimista!

Se não, um eterno retorno

Dia após dias

E assim permite

Ser consumido lenta e avidamente

Seja em ação ou repouso, como for

Nada importa, não há com que ou quem importar

Sem a menção da distância, tão perto tão longe

Você aparece, assim…

Misterioso como a noite sem lua

Sob estrelas cadentes,

Ainda pendentes

A espera da vez, a próxima quem sabe…

Dewey: um gato entre livros

•janeiro 7, 2010 • Deixe um comentário

“Que impacto pode ter um animal na rotina das pessoas? Todos serão sensíveis às mudanças trazidas por uma pequena vida?” – eis alguns questionamentos que serão respondidos pelos habitantes de cidade de Spencer, nos Estados Unidos. Pois a recordação desses habitantes perdura até os dias de hoje.

Abandonado numa noite e fria, um gato é encontrado na caixa de devolução da Biblioteca Pública de Spencer. Sensibilizada com seu estado e sequelas, Vicki, a bibliotecária, resolve adotá-lo, tornando-o mais tarde o mascote do lugar.

Em homenagem ao Sistema Decimal de Classificação, Dewey passa a participar da rotina da biblioteca, seja fazendo companhia aos usuários, seja participando de suas atividades. Na verdade, ele se sente grato pela aceitação de todos.

À medida que o tempo passa, o gato vai se tornando famoso e conhecido por todos. Reportagens, documentários, fotos e outras homenagens são feitas para torná-lo o símbolo de Spencer. Além disso, ele contribui também para amenizar os problemas na vida das pessoas, seja de origem física ou emocional. Por dezenove anos, Dewey comove a todos com pequenos gestos e troca de olhares.

Vicki Myron narra a história de uma maneira que emociona e aumenta mais o amor por esse animal, oposto dos cães. Mas, para seus admiradores, ele é carinhoso, companheiro e sincero em suas atitudes.

Alguns anos após sua morte, todos ainda sentem a presença de Dewey no convívio diário, seja pela lembraça do simples ronronar, seja no modo como ele transmitia seu carinho.

A obra está sendo adaptada para o cinema e quem atuará no papel principal será Meryl Streep. Ainda se desconhece o diretor desse longa-metragem.

Ano novo

•dezembro 31, 2009 • Deixe um comentário

Véspera de ano novo e até agora, inexistem convites para o grande amanhã…

Aliás, houve o único sugerido pela sogra: ir à casa de um casal desconhecido, amigo do segundo filho.

Recusou de imediato mesmo com seus possíveis argumentos de lazer sem falar do corrosivo arrependimento em seguida! A seu ver, réveillon não combina com clima familiar.

De qualquer maneira, ficaria a espera de algum outro, se não restava ficar em casa com o marido, a mãe e seus gatos. Por um lado, seria bom. Pois, estaria isenta de qualquer perigo na selva de pedra. Por outro, mais um ano sem ter para onde ir e de entediante retrospectiva para si.

Na verdade, estava tentando a todo custo se animar. Durante o dia, executou inúmeras tarefas acumuladas de muito tempo, não parou um instante sequer para a soneca da tarde. Torcia para que tudo isso passasse logo. Qual sentido tinha o ano novo se não estivesse bem consigo mesma? – repetia em pensamentos para se automotivar.

Cogitou até tomar alguns calmantes com tarja preta para não presenciar nada nem ouvir o barulho dos fogos de artifício. Temia uma crise de choro misturada a raiva e algum outro sentimento sórdido.

Se pudesse voltar ao passado ou avançar um pouquinho no futuro…

Como todos os anos, prometia sempre a si que os próximos 365 dias seriam bem diferentes – mais dinheiro, imunidade sanitária e desejos realizados.

Tentou se distrair assistindo um violento filme de ação. Mas, como previsto, a concentração transpareceu nas primeiras cenas! Nem a leitura das legendas fazia jus a sua atenção. Só pensava no dia posterior às 23h59.

O marido já demonstrava sinais de depressão. Reclamou desde cedo, a contragosto dela, que necessitava da companhia de outros da sua espécie. Após a licença de 45 dias, ficou traumatizado com a casa. Ela o compreendia, mas ficava meio magoada por não preencher seu vazio no todo.

Cabisbaixa, se recolheu ao quarto sem que ele a notasse. Sob a fraca luz do abajur, lágrimas correram pela face sem o mínimo incômodo. Já supunha semelhante descaso daqui a 24 horas. Não aguentaria outro eterno retorno dele!

Na mesinha de cabeceira, uma foto de poucos meses de namoro denunciava felicidade e desmedido amor, e ao lado dela, uma caixinha de música que conservava a magia daquele momento. Demorou-se olhando os dois objetos como se buscasse respostas a sua angústia. Queria se aprisionar aquela imagem a qualquer preço e esquecer a dura realidade do ano novo. Pois, lembrava com intensidade e clareza o quanto viveu aquela época.

E assim ficou com um sorriso extático e o olhar parado de nostalgia. Quem a visse juraria estar morta no seu tempo, se não em paz a sua medida.

Ciúme

•dezembro 28, 2009 • Deixe um comentário

Acordou mais cedo do que imaginava, sem o despertador. Um gosto meio ocre sem falar do peso na alma. Eram resquícios do ódio.

Ainda não conseguia esquecer o ontem, ou seja, seu descontrole em forma de gritos e murros na mesa devido a sua louca obsessão: o ciúme. Perdia o controle quando sentia isso. A visão embasava e proferia palavras ferinas.

Como tudo aconteceu? Não queria lembrar, mas o acontecimento ainda martelava na cabeça. Riu tanto durante o trajeto do trabalho para casa, não imaginava tamanha desgraça. Se bem que muita alegria acaba em tristeza ou mágoa sem falar do olho direito tremendo.

Ao chegar a casa, executou as tarefas de sempre. Ajeitou os gatos, cenou e organizou o material para estudo. Nesta noite, decidiu fazer uma pausa consultando a Internet, quando viu o nome da amiga na listagem de amigos no Facebook dele. Antes, fez um comentário meio esdrúxulo sem perceber nada.

Repentinamente, fechou a cara e o computador. A raiva, a princípio, crescia para se transformar depois, em ódio. Descontou uma parte no computador e na cadeira. A vontade era quebrar tudo, senão se autoflagelar por amá-lo tanto.

Ele, sem nada entender, foi ao seu encontro perguntando tal reação repentina. Estava tão bem e depois, não a conhecia mais. A mulher carinhosa com quem convivia há tempos, cedeu lugar a uma outra em fúria. Tudo se transformou, sua voz, seus gestos até suas palavras a ele. Então, ouviu tudo que ela disse, entre dentes e gritos.

A desculpa dele foi a mais irritante, ou seja, ele se sentiu perseguido. Cadê a minha privacidade? – repetia.

Foram horas de discussão que mais tarde, deu vazão às lágrimas. Ela jurou tanto a si como a ele que iria esquecê-lo, sufocar aquele amor o quanto podia para depois não se matar. Estava farta de sofrer por amor e claro, por ciúme. Por fim, se pos a estudar para ao menos se sentir forte. Mas, não conseguiu!

Aquele não era o momento para outras atividades, tinha que parar e se entregar à tristeza. Ficou horas diante dos livros, as letras dançando na sua frente. Não conseguia se acalmar, aliás, não esqueceria essa traição furtiva dele. E ela, sempre evitando novos contatos por conta da possessividade dele. Qual burra tinha sido!

Levantou-se para lavar o rosto e se preparar para dormir. Seria uma longa noite! Se ao menos tivesse algum sonífero, o mais forte para não acordar mais…

Então, ao retornar do toillete, encontro-o cabisbaixo no sofá. Ao vê-la, chamou-a de maneira carinhosa. Daí, foi a vez dele de dar vazão a lágrimas e implorar que mantivesse seu amor. Temia perdê-la por qualquer motivo sequer. Apertou-a nos seus braços, soluçando com desespero.

Daqui a pouco, ambos estavam assim, mar de lágrimas, perdão pelas imperfeições, juras eternas.

Dormiram abraçados, mas ela não. Ainda formigava em si o ocorrido.

Pela manhã, sua aparência estava péssima, sem falar do ressentimento.

Depois desse problema, eu teria deletado a tal amiga – pensou. Mas, ele não fez isso. A tal sujeita continuou no Facebook com um sorriso cínico no rosto. Quem sabe torcendo por mais destroços do casal.

A Cura pelas reminiscências

•dezembro 22, 2009 • Deixe um comentário

As mãos tremiam descontroladamente. Não sabia como deixá-las. Unidas ou separadas, elas continuavam a tremer. Devido a isso, não conseguia fazer absolutamente nada. Sentia-se a inválida.

Tudo se transformava num desastre. Se tentava matar a sede com um simples copo com água, derramava em pouco tempo, restando apenas respingos. Para se alimentar era outra dificuldade, principalmente quando o cardápio era sopa. A colher parecia mais uma catapulta, sujando a mesa e as paredes da cozinha. Sem se conter e esquecendo quem e o que era, imitava um animal qualquer abocanhando os restos com avidez.

Fazia alguns dias que estava com essa seqüela. Foi vítima de um colapso nervoso de um momento do qual se recusava a relatar. O neurologista a quem já tinha feito inúmeras ligações, assegurou-lhe que algumas cápsulas de Parmelor e All-não-sei-o-que nos horários determinados, tudo voltaria ao normal. Ela seria aquela sem tremeliques e taquicardia sem falar das pupilas dilatadas quase 24 horas.

Mas, já começava a cair no desespero. Nada do esperado efeito e seu estado se agravava mais. Já não dobrava mais o mindinho que jazia sem vida na mão esquerda. A sua vontade era decepá-lo. Não tinha sentido continuar com aquele membro.

A mente fervilhava de preocupação por isso. Não poderia ficar sem as mãos até porque dependia delas. Como iria viver? E era uma das partes do corpo que mais admirava. Se ao menos tivesse sido alguma outra como os seios. Não se importava de tê-los. Eles a incomodavam muito. No passado, visitou vários cirurgiões para retirá-los oferecendo uma boa quantia em dinheiro. Mas, nenhum deles até mesmo o mais desonesto resistiu a tamanha tentação.

O pior era depender de outros, algo que feria seu orgulho. Os familiares com uma sórdida pena, encontraram uma auxiliar de enfermagem que chegaria daqui a poucos dias. Insistentemente, tentaram convencê-la da companhia da outra. Não entendiam sua fobia por pessoas e seu prazer pela solidão.

Ridículo! Não poderia permitir tal insulto e essa invasão de privacidade! Seria, então, o início do seu fim? Breve, acharia outra e nova solução.

Quando teve a idéia de usar luvas de boxe para esquecer um pouco a deficiência. Lembrou que tinha um par guardado no armário. Antes, vez por outra as colocava enquanto assistia o nocaute com o adorável Mike Tyson. Bons tempos… Altas madrugadas com pulos e palavras de baixo calão.

Ao menos agora, evitaria olhar e sentir o tremor e quem sabe, eis o segredo da cura, ou seja, a cura pelas eternas reminiscências. Fez menção de ligar para o neurologista, mas desistiu. No fim, ele passaria mais medicamentos como ALL-não-sei-o-quê e quem sabe a família até a internaria.

Então, com tremores e desorganizando o closet, achou as tais luvas. Para colocá-las foi necessário usar boca, dentes, rosto, o que ainda funcionasse em si. E após amarrar o último cadarço, sentou na poltrona muito suada e com cabelos desalinhados. Mas, com um sorriso irônico estampado de satisfação.

Eterna tatuaje

•dezembro 16, 2009 • Deixe um comentário

Aun siento la

Lleveza e la imensidón de

Este nuestro amor… La

Xilografia hecha en nuestros corazones…  Una eterna tatuaje…