Next exit

Ía iniciar o serviço de cadastramento e resolveu ouvir algo para apressar o tempo. Colocou o cd no computador e tinha começado a tocar o tema do filme Réquiem para um Sonho.

“Não, hoje não!” – pensou. “Quero ouvir algo light e não pensar no amanhã”.

Então, clicou na música do Interpol, algo como Next Exit.

Sem nada entender, na primeira balada já nomeou a sua música do dia.

Também, depois de um final de semana conflituoso, ao menos uma música para preencher a sala e esquecer o dia de hoje chamado segunda-feira.

Daí, como a música, passou a vagar em cada acorde e a sentir uma estranha paz que estremecia com a mesma harmonia da batida do seu coração.

E assim ficou por alguns minutos em ritmo com a caneta deslizando no papel sobre o livro negro de tombamento.

‘Caramba! Se eu pudesse ser livre tanto como a Next Exit…’ – pensou de forma hedionda, assim o digo.

E o cd passou a trocar de músicas e cada uma descrevia seu estado de espírito de maneira perfeita. Ora atormentada ora histérica, se não com mais razão a que emoção.

‘Preciso manter a forma e o compasso’ – repetia a si como uma suposta ordem, temendo cair num abismo infinito da própria alma. Se pudesse, esqueceria da hora e do lugar para dar vazão a todas as sensações que escondeu ou fugiu, para não mostrar o que realmente, é.

Seria o acaso, mas o disco do Interpol dizia o que há tempo buscava ouvir de qualquer maneira. E justo agora, estava ouvindo, escutando aquela enxurrada de palavras que invadia com desespero, sem parar.

‘Acho que vou tomar outros rumos que não me farão cair no arrependimento’ – pensa e responde com a pressão da caneta no papel. As mãos estão geladas e rígidas, mas uma energia consome o impulso de apenas seguir.

‘Sim! Traçarei o que estiver além de linhas e rabiscos. Tenho a certeza do algo mais em questão, agora. Está decidido por muitos amanhãs!’.

Levantou, deixou a caneta cair ecoando no papel e de supetão, abriu a porta sem olhar para trás. Atravessou outras portas iguais e fez a vontade dos pés em cadência com as mãos. Se deixou ir sem visualizar o que tinha pela frente…

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~ por Márcia Vidal em fevereiro 17, 2010.

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