Ciúme

Acordou mais cedo do que imaginava, sem o despertador. Um gosto meio ocre sem falar do peso na alma. Eram resquícios do ódio.

Ainda não conseguia esquecer o ontem, ou seja, seu descontrole em forma de gritos e murros na mesa devido a sua louca obsessão: o ciúme. Perdia o controle quando sentia isso. A visão embasava e proferia palavras ferinas.

Como tudo aconteceu? Não queria lembrar, mas o acontecimento ainda martelava na cabeça. Riu tanto durante o trajeto do trabalho para casa, não imaginava tamanha desgraça. Se bem que muita alegria acaba em tristeza ou mágoa sem falar do olho direito tremendo.

Ao chegar a casa, executou as tarefas de sempre. Ajeitou os gatos, cenou e organizou o material para estudo. Nesta noite, decidiu fazer uma pausa consultando a Internet, quando viu o nome da amiga na listagem de amigos no Facebook dele. Antes, fez um comentário meio esdrúxulo sem perceber nada.

Repentinamente, fechou a cara e o computador. A raiva, a princípio, crescia para se transformar depois, em ódio. Descontou uma parte no computador e na cadeira. A vontade era quebrar tudo, senão se autoflagelar por amá-lo tanto.

Ele, sem nada entender, foi ao seu encontro perguntando tal reação repentina. Estava tão bem e depois, não a conhecia mais. A mulher carinhosa com quem convivia há tempos, cedeu lugar a uma outra em fúria. Tudo se transformou, sua voz, seus gestos até suas palavras a ele. Então, ouviu tudo que ela disse, entre dentes e gritos.

A desculpa dele foi a mais irritante, ou seja, ele se sentiu perseguido. Cadê a minha privacidade? – repetia.

Foram horas de discussão que mais tarde, deu vazão às lágrimas. Ela jurou tanto a si como a ele que iria esquecê-lo, sufocar aquele amor o quanto podia para depois não se matar. Estava farta de sofrer por amor e claro, por ciúme. Por fim, se pos a estudar para ao menos se sentir forte. Mas, não conseguiu!

Aquele não era o momento para outras atividades, tinha que parar e se entregar à tristeza. Ficou horas diante dos livros, as letras dançando na sua frente. Não conseguia se acalmar, aliás, não esqueceria essa traição furtiva dele. E ela, sempre evitando novos contatos por conta da possessividade dele. Qual burra tinha sido!

Levantou-se para lavar o rosto e se preparar para dormir. Seria uma longa noite! Se ao menos tivesse algum sonífero, o mais forte para não acordar mais…

Então, ao retornar do toillete, encontro-o cabisbaixo no sofá. Ao vê-la, chamou-a de maneira carinhosa. Daí, foi a vez dele de dar vazão a lágrimas e implorar que mantivesse seu amor. Temia perdê-la por qualquer motivo sequer. Apertou-a nos seus braços, soluçando com desespero.

Daqui a pouco, ambos estavam assim, mar de lágrimas, perdão pelas imperfeições, juras eternas.

Dormiram abraçados, mas ela não. Ainda formigava em si o ocorrido.

Pela manhã, sua aparência estava péssima, sem falar do ressentimento.

Depois desse problema, eu teria deletado a tal amiga – pensou. Mas, ele não fez isso. A tal sujeita continuou no Facebook com um sorriso cínico no rosto. Quem sabe torcendo por mais destroços do casal.

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~ por Márcia Vidal em dezembro 28, 2009.

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