Decisão

conflito

Chegou satisfeita, disposta a enfrentar mais uma tarde. Não suspeitava do que a guardava.

Assim, mal pôs os pés na sala, ouviu coisas absurdas e de baixo calão.

Tentou manter a calma e a serenidade, respondendo a todas aquelas grosserias, ou melhor, afrontas. E sem conseguir mais, revidou no mesmo tom e bom som.

Proferiu verdades que estavam causando refluxo e dormência nas mãos – eis o real motivo do estresse com qual convivia. Então, esqueceu sua posição, sua identidade, tudo e falou sem pausas, entre rosnados e cuspidas.

Inconformado com os disparates da subordinada, de imediato fez papel de vítima.

E ela, impaciente com a cena, sem mais saiu da sala e com vontade, bateu a porta que abafou suas últimas palavras.

Estava farta daquele que se dizia líder nato. Qual nada! Não passava de um bobo da corte manipulado pelo poder, se não um boneco de chacota da equipe. No fim, faria o impossível para obter a inteligência dela – coisa que o mantinha no cargo.

Ainda em fúria, rogando pragas, assumiu de imediato seu posto de trabalho: o atendimento. Aliás, tinha que aturar essa função por uma hora, pois no horário do almoço não tinha ninguém. Mesmo assim, ficou e executou as atividades ao contrário do que era permitido.

Mais tarde, já calma, trabalhou como uma máquina, não se permitindo um intervalo sequer. Imaginou que era seu último dia naquele covil com seu algoz. Concentrou-se como nunca e se deixou navegar nas palavras dos livros que a rodeavam.

Quando uma lembrança boa veio à mente. No dia anterior, teve esperanças para si. Não temia mudanças, estava sempre pronta e a espera delas. Ultimamente, poucas oportunidades batiam a sua porta e algumas semanas atrás, apareceu uma que a deixou meio atônita.

Bem, cabia a si tomar uma decisão e continuar naquele ambiente, já não era possível. O médico com quem fazia acupuntura a tinha alertado para uma reação mais grave no futuro. O que ainda estava esperando?

Dessa forma, sem temer quem a ouvisse, ligou para o desconhecido, falando claramente:

– Você tinha razão! É o momento de conquistar um mundo. Eu aceito!

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~ por Márcia Vidal em outubro 20, 2009.

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