Reflexo

lobo

Todo dia é quase igual. São horas de convivências, emoções, caças.  Mas nada tão surpreendente a outras verdades até uma certa ocorrência incomum.

Aquele dia, como quase igual a tantos outros, contribuiu não só no prolongamento das atividades para a Alcateia como no seu comportamento. Tudo porque o Lobo Alfa, junto com outros, passaram a emitir uivos com uma distinta entonação. Não houve pausa um momento sequer, pois todos seguiam ao comando do líder. Era necessário causar aquele som, talvez absurdo para o que viria a acontecer.

Caçadores que passavam próximo não conseguiam entender a mistura de uivos e imprevistas corridas entre aqueles animais. Para eles, humanos, a organização como o ápice de tudo e a boa convivência entre aqueles lobos serviam como exemplo para si próprios. Mas aquela súbita mudança mostrava um certo antagonismo diante de suas qualidades em realce.

Repentinamente, houve o cessar brusco dos sons. Pairou um silêncio na clareira e todos os lobos baixaram as caudas e as orelhas como submissão ao Alfa. Porém, a reação dele foi inesperada e comovente, ou melhor, espantosa. Ele imitou o gesto da Alcateia e, demonstrando a certeza disso, deitou de costas diante dela.

A princípio, os lobos duvidaram, mas lembraram que a hierarquia nunca foi rígida. Todos sabiam que em algumas funções, um outro lobo pode tomar iniciativas do líder, assim como pode se dar uma possível troca.  Depois, como parte de um ritual lupus, respeitaram a vontade daquele que sempre os guiara sem temer o porvir.

Na verdade, todos visualizaram aquilo como mais um aprendizado para a Alcateia, o que não deixou de ser mais um ato bem-vindo do Alfa. Confiança e segurança são qualidades que o tem mantido até então sob controle e isso tranquilizava os Lobos Betas e Ômegas. Pois eles já tinham o prévio conhecimento de igualdade e ordem, seja na estabilidade da matilha seja durante as caçadas. A ferocidade não fazia parte do cotidiano mesmo nas grandes conquistas que nada mais eram resultados da lealdade e devoção ao grupo.

Assim, ainda delirantes, senão contemplativos, partiram por um rumo oposto deixando um forte cheiro e marcas nas árvores. Outro território os aguardava, estavam certos das suas escolhas e restava prová-las seguindo o reflexo de si mesmos: Seu Alfa.

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~ por Márcia Vidal em outubro 13, 2009.

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