Ensaio sobre a cegueira

ensaio-sobre-a-cegueira

De repente, todos são tomados por uma espécie de visão branca, um tipo de cegueira até então desconhecida. O caos é geral na cidade, seja no trânsito ou nos hospitais.

Segundo o governo e o Ministério da Saúde, trata-se de uma estranha infecção, cujo contágio se dá através do contato com os cegos Dessa forma, sem nenhum prognóstico ou diagnóstico, todos os infectados são colocados em quarentena num hospício até alguma posição das autoridades.

Os primeiros a chegar ao local são um médico e sua esposa que está isenta da cegueira. Depois, uma garota de programa, uma criança, um executivo e um ladrão. Mais tarde, chegam outros que acabam se entrosando com os que já estavam ali.

Com o passar dos dias, tudo se torna anti-higiênico e precário. Pessoas circulam sem roupas, dormem em qualquer lugar, fazem as necessidades fisiológicas no próprio chão. Devido ao imenso número de infectados, todos são transferidos para um espaço mais amplo, mas as condições desumanas prevalecem sem que percebam.

Por outro lado, grupos se organizam para a divisão de tarefas a fim de amenizar o clima – até porque há mortos. Entretanto, alguns se recusam a se submeter às regras e acabam se voltando uns contra os outros. Primeiro, a comida terá que ser negociada em troca de tudo que possuem de valor. Depois disso, sem bens, terão que negociar suas próprias mulheres a fim de aplacar a fome.

Sem alternativa e famintas, as mulheres se submetem aos desejos carnais de homens que as estupram e as espancam de maneira horrenda, provocando a morte de uma delas. Nesse caso, inconformado com a situação, alguém assassina o líder durante o ato sexual.

Abalados com o homicídio, o grupo proclama por vingança, iniciando assim uma rebelião que termina em incêndio e mais mortes. No entanto, com o lugar destruído, todos resolvem sair em busca de ajuda e continuar sobrevivendo. Porém, a realidade por trás dos muros do sanatório é cruel. Toda a cidade foi contaminada pela cegueira branca.

Adaptação do romance de José Saramago, o filme contém momentos de angústia e tormento, seja nos créditos de abertura ou na trilha sonora. As cenas refletem mais no desmoronamento social que a própria epidemia. As regras são quebradas e não há  ninguém para criticar, se não usar da tirania como sobrevivência.

Logo, a trama encanta e, ao mesmo tempo, assusta, porém nos presenteia com um novo olhar a respeito do próximo.

Anúncios

~ por Márcia Vidal em setembro 26, 2008.

3 Respostas to “Ensaio sobre a cegueira”

  1. Postei sobre esse filme em meu blog, também, porém ainda não assisti, mas ouvi falar muito bem dele .. coloquei até o trailer pra quem quiser ver.

  2. Assisti e amei. O filme nos proporciona um misto de dor e de perplexidade, num silêncio revelador.
    O que somos capazes de fazer ou nos submeter pela vida. E revela a situação histórica da mulher que se doa e é capaz se desprreender de qualquer pudor ou moralismo por amor.

  3. O filme é tão bom quanto o livro homônimo. O filme consegue nos passar a sensação de angústia que ao ler o livro você sente com a situação de cada personagem. O modo como foi filmado ajuda bastante nessa idéia, com um jogo de claridade e escuridão na tela signifiva para que estejamos mais do absorvidos pela estória. Um filme e um livre para ver e ler muitas vezes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: