O Senhor das moscas : miséria humana e abismo moral

O Senhor das moscas

Adaptado para o cinema nos anos 90, sob a direção de Harry Hook, O Senhor das moscas é considerado uma das maiores obras por abordar o caráter humano e a relação entre o homem e a sociedade, além de explicitar a maldade e a selvageria humana.

Conhecido como um dos maiores escritores do século e vencedor do prêmio Nobel em 1983, William Golding condensa através de metáfora a história da construção da vida em sociedade tal como a conhecemos hoje.

Nesse livro, Golding conta a história de um grupo de garotos de um colégio inglês que, após um acidente aéreo, passam a habitar uma ilha paradisíaca do Pacífico. Destinados a lutar pela sobrevivência e tendo como meta retornar ao lar, fundam uma sociedade que vive de maneira primitiva, criando regras e sistemas de liderança. No entanto, sob essa necessidade de auto-organização típica dos sistemas vivos, e em particular o caso dos sistemas de comunicação/poder humanos, não estão isentos de dificuldades.

Após nomear um líder, suas maiores preocupações são: manter uma fogueira acesa como sinal de ajuda e caçar. Caçar, então, se torna uma prioridade para alguns do grupo, principalmente quando a primeira oportunidade de matar um porco falha. Devido a isso, juntamente com a luta pelo poder, atritos começam a existir.

O tempo passa, e a sociedade se separa em dois bandos, cujo comportamento se define em selvagens e civilizados, originando, assim, uma revolta e um massacre.

O livro faz alusão ao trabalho em equipe, à consciência e à liderança humana. Quando uma sociedade possui tudo isso, a tendência é seus interesses estarem sempre em colisão, então, existe um ponto em que trabalha o equilíbrio para que isso não aconteça.

Segundo Rousseau, “o homem não é uma criatura originalmente imaculada” e William Golding detalha isso divinamente nesta obra, além de sustentar a tese de que o homem é o lobo do homem. Os seres humanos são por natureza capazes da maldade. O amor e outras emoções similares tendem a se desfazer diante da própria irracionalidade inerente ao ser humano.

Na minha concepção, o autor faz uma leitura negativa da nossa natureza, expondo o que há de mais trágico no convívio humano.

Porém, mesmo que a violência e a hipocrisia venham a escurecer as relações humanas, a necessidade de se viver em sociedade é algo básico e possibilita ao ser humano ser capaz de falar, pensar e ter consciência do certo e do errado. Em suma, nosso mundo é sempre um espaço constituído de outros.

Assim, este livro não é para espíritos fracos. A sua tragicidade descrita em cada página nos conduz à miséria humana e aos abismos morais. E Golding nos impressiona com o sentido estético de poder, tal qual presenciamos em nosso convívio diário.

Anúncios

~ por Márcia Vidal em março 23, 2008.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: