Registro do tempo

Foto

O tempo se esvai, mas as lembranças permanecem, sejam em imagens, manuscritos ou pensamentos.

Durante uma das mudanças feitas na minha vida, entre livros e discos antigos, encontrei a foto da minha segunda mãe. Refiro-me assim porque fui educada por duas maravilhosas mães que são diferentes na maneira de ser, mas semelhantes no amor dado a mim. Graças a ela, estou na posição em que estou

Em preto e branco e característico dos anos 50, a foto foi tirada no dia do seu aniversário, como tantas outras nas décadas seguintes. Pois, além de música e quadros, Mainha gostava de fotografias, cujo hábito consistia em registrar momentos que, infelizmente, não voltarão mais.

O que atrai nos seus álbuns de fotos é o seu olhar e a maneira como se portava diante da câmera. Sua sensibilidade era exposta de uma maneira indescritível e singular tal qual sua beleza. Isso me lembra a poesia de Baudelaire: “Em teus olhos reténs uma aurora e um ocaso”.

Recordo dos rituais de beleza pela manhã e final de tarde. Isso poderia inspirar algum pintor ou poeta que decidisse descrever a vaidade. E quando saía, nem se fala. Passava horas diante do espelho que, mais tarde, não se tornou tão receptivo.

Mas as marcas da idade e suas conseqüências chegaram lentamente, e não permitiram que as coisas fossem como antes.

Hoje, após tantos anos, a foto fica como uma memória daquela que me ensinou a ser a pessoa que sou. E, para mim, ela continua tão bela quanto nos tempos de outrora.

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~ por Márcia Vidal em março 21, 2008.

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