A Cama
Levando consigo seu filho, Zecão decidiu recuperar a cama que fora levada por sua irmã, Maria Rita. A cama era um objeto de extremo valor sentimental herdado pelos seus antepassados. Porém, durante o trajeto, sofreu um acidente, indo parar no hospital. Não se dando por vencido, mandou o filho, Tobias, apesar das recomendações impostas.
Ao chegar à casa da tia, a cama já tinha sido vendida para uma amiga, Elvira, que estava com a filha Petúnia. Tobias ficou chocado com as condições as quais sua tia vivia junto com um bebê. De todas as maneiras, tentou persuadi-la a mudar de ideia, lembrando da maldição que havia na cama, caso alguém da família se desfizesse dela.
Petúnia, ao ver Tobias, se apaixonou de imediato, dando-lhe seu endereço. Meio sem jeito e preocupado com o rumo da situação, ou seja, a venda da cama, prometeu encontrá-la em breve.
Satisfeita com a tal compra, Elvira resolveu presentear Rosa, a filha mais velha que iria morar com Jerônimos, o flautista. Porém, o presente tanto desagradou como assustou o genro.
Ao deparar com aquela cama enorme, de jacarandá, pesada, com entalhes na cabeceira, os pés em forma de pata, ocupando grande espaço no seu estúdio, ele se negou a compartilhá-la com Rosa. Magoada com a reação do grande amor, retornou a casa da mãe, disposta a esquecê-lo.
Sem pensar duas vezes, Jerônimos trocou a cama por um velho divã numa loja de antiquários, sem nem ao menos consultar Rosa.
Elvira, indignada com a reação da filha e com a atitude do genro, recuperou o objeto às pressas, vendendo-o para Américo, um amigo da família. Este presenteou a filha, Roberta, aproveitando o momento para fazer as pazes. Ao invés disso, o passado atormentou a ambos, provocando uma separação que duraria pra sempre.
Mais uma vez, a cama provocou discórdias entre pessoas mais próximas, deixando-as sempre à mercê de sua disputa.
O romance citado aborda memórias em que a cama é retratada como a metáfora da vida. Ora, ela presencia nascimentos e mortes, ora interfere no destino dos personagens. A maldição proferida pela matriarca (“a cama deveria permanecer na família sob pena de que recairiam grandes desgraças sobre aquele que se desfizesse dela”) se concretizou a partir de pequenos desentendimentos, que culminam em acontecimentos envolvendo dor e solidão.

